Quando uma vaga pede “inglês B2” ou alguém diz que “parou no B1”, está usando a mesma régua: o Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas. Ela não foi feita só para o inglês, vale para qualquer idioma, e descreve o que a pessoa consegue fazer com a língua, e não quantas regras de gramática ela sabe. Esta página olha os seis níveis pelo lado da fala, que é onde a maioria dos brasileiros sente a diferença.
| Nível | Grupo no Quadro | Na conversa, consegue… |
|---|---|---|
| A1 | Usuário básico | se apresentar e responder perguntas sobre si, com frases curtas e decoradas, se o outro falar devagar e ajudar |
| A2 | Usuário básico | dar conta de trocas simples do dia a dia (compras, rotina, trabalho) e responder perguntas, mas raramente consegue manter a conversa sozinho |
| B1 | Usuário independente | começar, manter e encerrar uma conversa simples sobre assuntos conhecidos, contar o que aconteceu e dar razões curtas para uma opinião |
| B2 | Usuário independente | conversar com nativos sem esforço demais dos dois lados, defender um ponto de vista e corrigir a maior parte dos próprios erros |
| C1 | Usuário proficiente | falar com fluência e espontaneidade no social, no estudo e no trabalho, quase sem procurar palavra |
| C2 | Usuário proficiente | dizer a mesma ideia de vários jeitos para marcar nuance, com tanta naturalidade que o outro mal percebe quando contorna uma dificuldade |
De onde vêm os níveis e o que eles medem
O Quadro é do Conselho da Europa e divide o domínio de uma língua em três grupos de dois níveis: usuário básico (A1 e A2), usuário independente (B1 e B2) e usuário proficiente (C1 e C2). Cada nível é descrito por frases do tipo “consegue fazer tal coisa”: entender, ler, conversar, falar sozinho por um tempo e escrever.
Para a fala, o próprio Quadro tem uma tabela que olha cinco aspectos ao mesmo tempo: o repertório (quanta língua a pessoa tem para usar), a correção (quanto erra e se o erro atrapalha), a fluência (quantas pausas faz), a interação (se puxa, mantém e encerra a conversa) e a coerência (como liga uma ideia na outra).
Um detalhe que explica muita frustração: ninguém precisa ter o mesmo nível em tudo. É comum o brasileiro entender um seriado como B2 e falar como A2, porque passou anos ouvindo e lendo e quase não abriu a boca. O nível da fala sobe com fala, e não com mais leitura.
A1 e A2: usuário básico
A1. Pelo Quadro, a pessoa entende e usa expressões do dia a dia e frases bem simples para resolver coisas concretas. Consegue se apresentar, apresentar alguém e perguntar ou responder sobre onde mora, quem conhece e o que tem, desde que o outro fale devagar, com clareza, e esteja disposto a ajudar. Na fala, as frases são muito curtas, quase todas decoradas, com muita pausa para achar a palavra, e as ideias se ligam com “and” ou “then”.
A2. Já entende frases sobre o que está perto: família, compras, a região onde vive, o emprego. Dá conta de trocas simples e rotineiras e descreve com palavras simples a própria vida e o que precisa. Na fala, usa estruturas básicas com expressões decoradas, se faz entender em falas curtas, com recomeços e reformulações visíveis, e já liga ideias com “but” e “because”. Responde bem, mas raramente consegue manter a conversa sozinho, e ainda erra o básico com frequência.
Exemplos de como cada nível costuma soar (frases escritas por nós, não tiradas do Quadro):
Hi, I’m Paula. I’m from Recife. I work in a bank. I have one son.
Oi, eu sou a Paula. Sou do Recife. Trabalho num banco. Tenho um filho.
Por que soa assim: A1: frases curtas e soltas, cada uma com uma informação pessoal, ligadas só pela ordem.
Last weekend I went to my sister’s house. We cooked fish, but I was very tired because I worked on Saturday.
No fim de semana passado fui à casa da minha irmã. A gente fez peixe, mas eu estava muito cansada porque trabalhei no sábado.
Por que soa assim: A2: já conta um fato no passado e liga as ideias com “but” e “because”, ainda com vocabulário do cotidiano.
B1 e B2: usuário independente
B1. Entende o principal de uma fala clara sobre assuntos conhecidos, como trabalho, estudo e lazer, e se vira na maioria das situações de uma viagem onde a língua é falada. Descreve experiências, acontecimentos, sonhos e planos, e dá razões curtas para uma opinião. Na fala, tem vocabulário para se virar sobre família, hobbies, trabalho, viagem e notícias, com hesitação e alguns rodeios. As pausas para planejar e consertar a frase são bem visíveis, mas a conversa continua. Consegue começar, manter e encerrar uma conversa simples cara a cara, e repete parte do que ouviu para confirmar que entendeu.
B2. Entende as ideias principais de textos complexos, concretos ou abstratos, inclusive discussões técnicas da própria área. Conversa com nativos com fluência e espontaneidade suficientes para nenhum dos dois lados se cansar, e explica um ponto de vista com prós e contras. Na fala, descreve com clareza e opina sem procurar muito a palavra, quase não comete erro que cause mal-entendido e corrige a maior parte dos próprios deslizes. Ainda hesita às vezes, mas sem pausas longas, e toma a vez na conversa, mesmo que nem sempre com elegância.
I’ve been working in sales for three years. I like it because I talk to people all day, but the monthly targets can be pretty stressful.
Trabalho com vendas há três anos. Gosto porque falo com gente o dia todo, mas as metas do mês podem ser bem estressantes.
Por que soa assim: B1: fala da própria experiência com mais de uma ideia na mesma frase e já dá uma opinião com motivo.
I get why you’d want to cut costs, but if we lose our most experienced people, the project will probably take even longer.
Entendo por que você quer cortar custos, mas, se a gente perder as pessoas mais experientes, o projeto provavelmente vai demorar ainda mais.
Por que soa assim: B2: concorda em parte, discorda com argumento e usa uma condição (“if…”) para mostrar a consequência.
C1 e C2: usuário proficiente
C1. Entende textos longos e exigentes e percebe o que está nas entrelinhas. Fala com fluência e espontaneidade, quase sem procurar expressões, e usa a língua com flexibilidade no social, no estudo e no trabalho. Na fala, os erros são raros e difíceis de notar, e só um assunto conceitualmente difícil atrapalha o fluxo. A pessoa escolhe a expressão certa para pegar a palavra numa reunião ou para ligar o que diz ao que outra pessoa acabou de falar.
C2. Entende com facilidade praticamente tudo o que ouve ou lê, resume o que ouviu de várias fontes reconstruindo os argumentos e se expressa com muita fluência e precisão, marcando diferenças finas de sentido mesmo em situações complicadas. Na fala, reformula a mesma ideia de vários jeitos para dar ênfase ou tirar uma ambiguidade, domina expressões idiomáticas e coloquiais e contorna uma dificuldade com tanta naturalidade que o outro mal percebe.
To be fair, the first proposal wasn’t bad. It just underestimated how long the migration would take, which is why I’d rather phase it in.
Para ser justo, a primeira proposta não era ruim. Ela só subestimou quanto tempo a migração ia levar, e é por isso que eu prefiro fazer por etapas.
Por que soa assim: C1: escolhe o tom (“to be fair”), encadeia ideias com “which is why” e usa vocabulário preciso de trabalho.
It’s not so much that the plan failed as that nobody was willing to own it once the initial excitement wore off.
Não é bem que o plano tenha dado errado, e sim que ninguém quis assumir a responsabilidade quando a empolgação do começo passou.
Por que soa assim: C2: separa duas ideias parecidas (“not so much… as…”) e usa expressões idiomáticas como “own it” e “wore off” sem esforço.
Como descobrir o seu nível
A forma mais rápida é ler as descrições acima e ver em qual você se reconhece falando, e não lendo. Uma dica honesta: grave um minuto de você contando o que fez no último fim de semana, sem preparar. Se saiu uma lista de frases curtas, você está perto do A2. Se contou a história com começo, meio e fim e deu uma opinião, está perto do B1.
Nível oficial, que vale em currículo, intercâmbio ou processo seletivo, só com um exame de proficiência reconhecido, feito num centro aplicador. Para se situar antes, o nosso teste de nível de inglês é um diagnóstico grátis em forma de quiz, que mostra o seu ponto de partida em quatro estágios e monta um plano de prática.
A Cláudia não dá nível CEFR. Nem o teste do site nem o app dizem se você é A1, B1 ou C1, e a Cláudia não emite certificado. Ela serve para treinar a conversa em voz alta, com correção na hora. Para um nível oficial, procure um exame reconhecido.
Como subir um nível na fala
O que separa um nível do outro, na fala, é quase sempre a mesma coisa: o tamanho do pedaço de língua que você consegue montar na hora. Dá para treinar isso com metas bem concretas:
- De A1 para A2: pare de responder com uma palavra só. Treine responder com frase inteira e com um motivo: “I like my job because…”.
- De A2 para B1: conte histórias curtas no passado, com começo, meio e fim, e faça uma pergunta de volta para manter a conversa viva.
- De B1 para B2: treine discordar com argumento e falar de hipóteses (“if we…, we’ll…”), e diminua as pausas repetindo as mesmas histórias até saírem sem esforço.
- De B2 para C1: trabalhe o tom: como pedir a palavra, como suavizar uma crítica, como resumir o que o outro disse antes de responder.
Em todos os casos, o treino é o mesmo: falar em voz alta, com alguém que responda e aponte o erro. Na Cláudia, a conversa é por voz com uma professora de inteligência artificial que corrige na hora e pede para você repetir a forma certa. Veja como é:

So, what did you do last weekend?
I go to the beach. Was good.
Foi no fim de semana passado, então é passado, e a frase precisa de sujeito: I went to the beach. It was good. Agora conta mais uma coisa sobre o passeio?
I went to the beach. It was good, but it was very crowded.
Nice! Who did you go with?
Exemplo de conversa: de A2 para B1
Se travar muito no começo, dá para escolher “Com uma mão do português” e ela explica em português o que você não entender.
Descrições dos níveis parafraseadas das tabelas 1 (escala global) e 3 (aspectos qualitativos da fala) do Quadro Europeu Comum de Referência para Línguas, do Conselho da Europa: tabela 1 e tabela 3 (coe.int). Conferido em 20/10/2026. As frases de exemplo de cada nível foram escritas pela equipe da Cláudia.